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Julie & Julia

Voltei!
Na verdade, não tenho muito o que dizer à respeito do filme (aaaaaah). Tudo de bom que havia para dizer, o Marco já disse, e tudo de ruim... também. Só me resta evidenciar certos pontos importantes que ele não soube apreciar. Então, vamos lá.

Paris. Que cidade é essa, minha gente? Simplesmente encantadora. Quando Julia chega a essa tão magnífica cidade, podemos compartilhar da mesma emoção vivida pela personagem. Meryl Streep fez nossos olhinhos brilharem e nossa pele se arrepiar. A realização de Julia foi tão intensa, que nós, meros mortais que nunca fomos à Paris, conseguimos sentir o frescor do lugar, o cheiro, as formas. É lindo.

Julie, vivida por Amy Adams, não é tão doce e gentil como Julia, mas é incrivelmente meiga e cativante. Ela conseguiu tornar sua vidinha comum numa grande aventura pelos confins da culinária francesa. Genial. Ela se queixava da falta de tempo, mas encontrar tempo para fazer o que gostava foi patético de tão fácil. Nós mesmos fazemos isso no dia-a-dia. As mães são mestres em falar: “Se você não tem tempo pra me ajudar, vai ter tempo pra namorar?” E o que a gente faz? Arruma um tempo pra namorar, logicamente. E então, ela nos encanta com seu dom.

 O que era aquilo Meu Deus? Uma orgia alimentar, suponho. Me deu vontade de sair cozinhando loucamente, só pra ver o Marco tão feliz quando os rapazes daquele filme. Eita maridos sortudos, num é não? Uma mulher linda na cozinha, preparando tudo do bom e do melhor, o que mais esses homens poderiam querer? A Julie teve alguns probleminhas com o maridão, mas nada que já não fosse esperado. Achei a briga na medida certa. Aconteceu somente uma vez, mas foi intenso. Ambos aprenderam com aquilo. Adorei.

O Marco se queixou da “ausência de fatos”, ou talvez, do “clima morno” do filme. Bem, o filme narra o cotidiano de duas mulheres em diferentes épocas. Essa coisa de estar ali, contando o que aconteceu durante muitos dias acaba fazendo com que tenhamos mesmo essa impressão. Em filmes de romance/drama esse clima é normal, por isso não me incomodei. Acostume-se, meu amor.

Principal defeito do filme: minha constante obsessão por comida. Não consigo parar de experimentar coisas, é terrível.



Nota: 7 / 10


O tão temido pato 



Lívia Ferreira

Crítica: Julie & Julia

Quando você come arroz com feijão, você acha uma delícia, sente que poderia comer aquilo todos os dias. Porém, sempre vai faltar um sal, uma pimenta, um tempero ou um acompanhamento, que torne o prato diferente dos demais.

É mais ou menos isso que acontece em Julie & Julia.

Lançado em 2009, o longa dirigido por Nora Ephron é dividido em 2 núcleos centrais. Em um, ocorrido nos idos anos 40, acompanhamos a história de Julia Child (Meryl Streep), uma americana recém-chegada a Paris, que, ao experimentar um prato francês, se encanta com a culinária local, e decide se aventurar na cozinha e escrever um livro. Por outro lado, o outro ponto de vista da história segue Julie Powell (Amy Adams, Encantada), uma atendente de telemarketing que possui uma vida pacata. Seus parentes (e ela mesma) não perdem a oportunidade de jogar na cara dela o quanto ela é acomodada, e que ela nunca termina nada que começa na vida. Pra mudar isso, ela segue o exemplo de uma prima e monta um blog, onde decide postar a experiência de fazer todas as 524 receitas do livro de Julia Child no período de um ano.

http://umadosedecinema.files.wordpress.com/2010/01/julie-and-julia.jpgE assim, o filme vai alternando entre presente e passado, mostrando situações semelhantes que acontecem com as protagonistas. E esta é justamente a grande atração do filme. É divertido ver o vai-e-vem da narrativa, onde somos presenteados por Meryl Streep com uma atuação divertidíssima. É impossível não abrir um sorriso sempre que ela diz Bon Apetit!, com aquele carisma único. Sempre bem-humorada, ela busca reconhecimento na cozinha francesa, apesar de ser uma americana. Amy, por sua vez, também possui situações legais, como na parte onde ela faz birra por não conseguir preparar um pato da maneira como deve ser. Outro ponto a favor do filme são os coadjuvantes, os maridos de Julie e Julia. Sempre apoiando as esposas, são divertidos e, por que não, sortudos. Queria poder comer tanta coisa gostosa e diferente quanto eles.

O longa peca pela falta de diferencial na sua história. O roteiro possui bons momentos, mas, no geral, a história não dá grandes passos ao longo de seus 123 minutos. É bem morno, como pizza no fim da noite. Vemos apenas as receitas sendo preparadas, além de algumas dificuldades, obrigatórias nesse tipo de filme. Briga com o marido carente por atenção? Está lá. Chance mal-sucedida de subir na vida? Tem. Está tudo lá, como se o filme tivesse seguido a receita dos filmes de drama que invadem o cinema toda semana. Se tivessem dado ênfase, por exemplo, na dificuldade de conciliar vida / trabalho de Julie, como ela mesma disse que seria difícil no começo do filme, teria sido bem mais satisfatório. Sem contar que, no fim, quando a história parece que vai andar (com o primeiro contato entre as duas), tudo “acontece” de maneira superficial (um telefonema de um amigo-do-amigo), e nada mais. Sem contar a obsessão de Julie por Julia, irritante em algumas partes.

Um filme bem alegre, cheio de cenários coloridinhos e atuações convincentes por parte do elenco (destaque, novamente, para a incrível Streep), o filme entretém, mas é facilmente esquecível pela falta de situações inusitadas. Traz pra mim, por favor, o ketchup picante?

Ponto forte: Streep, tema central, os pratos preparados.
Ponto fraco: Falta de ousadia por parte da direção

Nota: 6 / 10


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Julie & Julia
(Julie & Julia, 2009)
Direção: Nora Ephron
Gênero: Comédia / Drama
Origem: EUA
Duração : 123 minutos.




Marco Bessa